Moça do vale Sorec (Sansão e Dalila)
Fui anunciado por um anjo
Fui gerado de um ventre estéril
Meu destino era lutar
E libertar meu povo.
Meu dom foi de força
Cordas, ferrolhos, ou homens
Nada me prendia
Mas, Escondia dentro do peito
Um coração frágil.
E foi este coração que enfraqueceu-me…
Dei-te mais do que meu amor,
Moça do vale de [1]Sorec
Dei-te meus votos
E o que restou do meu [2]naziriato.
Sabes por vintes anos fui juiz
Do meu povo
Pouco fiz por eles…
E muito menos por mim…
Do leão morto comi
O mel.
Do fruto da vide
Embriaguei-me
Restou-me apenas
Meus cabelos…
Vir-te moça
E sem força fiquei
Ante aos seus encantos
E com palavras encantadas
Arrancou-me meu maior segredo
Em seu colo adormeci gigante
E acordei prisioneiro
Descobrir da forma mais brutal
Que o amor cega!
Da última que a vi
Moça do vale de Sorec
Tu me perguntas se eu a amava
E quando te declarei meu amor
Tu me arrancas minha força
Com uma brutalidade tão doce
Neste instante percebi
Que a distancia entre o colo
E o chão é tão curta!
Pois em seu colo adormeci gigante
E no chão juntos aos seus pés acordei menino.
Meu destino era lutar
E libertar meu povo.
Nasci para ser juiz
Mas fui réu do amor.
Dei-te mais do que meu amor,
Moça do vale de Sorec
Dei-te meus votos
O que recebi em troca?
Meu amor valia para ti
1100 moedas de prata.
Mas, eu te amei
Com um amor tão cego
E mais, forte do que eu…
Ao passo que descobrir
Que a distancia entre o colo
E o chão é tão curta!
Ao deus [3]dagom
Fui levado, sem força
Guiado por um menino
Ao D-us de Yisrael
Restou-me clamar
Pois, os olhos sem visão
Somente viam a escuridão
Deixada pelo amor…
Das ruínas da minha cabeça
Brotou o que restou do meu naziriato.
Sentir, moça do vale de Sorec
A minha força novamente
Mas ela não vinha somente das tranças
Vinha da minha alma, a força de uma oração
As duas colunas do templo
Lembrou-me suas coxas, moça de Sorec
Onde adormeci…
Num suspiro gritei, Morra eu com os filisteus.
Mas, ali não morria somente eles e eu…
Naquele instante morria você.
Dentro de mim
Moça do vale Sorec…
[1] Vale onde morava Dalila
[2] Segundo o livro Números 6:1-21nazir נזיר da raiz nazar נזר “consagrado”, “separado” onde o voto do nazireu podia ser por um período ou a vida toda, e consistia em não beber nada que vinha da uva, tocar em qualquer coisa morta e cortar o cabelo.
[3] DAGOM o deus nacional dos filisteus. Havia templos consagrados ao deus Dagom em Gaza e Asdode (Jz 16.21 a 30; 1 Sm 5.5,6; 1 Cr 10.10).


